• Nandhara Vieira de Souza e Silva

Você sabe o que é a Neuroarquitetura?

Você já se perguntou se os ambientes podem influenciar nossos comportamentos? Ou já parou para pensar na relação que possa existir entre a arquitetura e o nosso cérebro? Pois saiba que são questões como estas que a Neuroarquitetura discute.

Mas afinal, você sabe o que é a Neuroarquitetura?

Em uma definição dada no livro Triuno de Robson Gonçalves e Andréia de Paiva sobre a Neuroarquitetura, ‘’Ela é a ciência interdisciplinar que aplica conhecimentos da neurociência à relação entre o ambiente construído e as pessoas que dele fazem uso’’.

No entanto, estes impactos causados através do ambiente nem sempre são conscientes, aliás muitas das vezes são inconscientes e podem ser tanto positivos como negativos. Estes efeitos que são gerados por meio do ambiente nos usuários podem ser tanto a longo como a curto prazo, a depender do tempo de exposição no espaço.

Para fazer com que o projeto proporcione e colabore para o bem-estar e qualidade de vida de seus usuários é necessário entender primeiramente qual será a função daquele determinado espaço, assim como o tempo de ocupação, quais são os usuários que irão fazer uso daquele determinado ambiente, entre outros pontos a serem analisados na hora de projetar.

Mas afinal, você sabe quais tipos de comportamento o ambiente pode estimular? O ambiente pode estimular uma série de comportamentos específicos, a depender da função de determinado espaço, como por exemplo o ambiente escolar pode influenciar e estimular o aprendizado, em locais de varejo a influência nas vendas dos produtos, em ambientes de saúde a recuperação de pacientes, em ambientes corporativos a concentração e criatividade, ou seja, cada espaço possui sua finalidade e consequentemente tipos de estímulos específicos que podem ser gerados alinhados com a função de cada ambiente.

A seguir serão apresentadas algumas das estratégias projetuais utilizadas por arquitetos e profissionais da área que buscam aplicar a Neuroarquitetura em seus projetos, tendo em vista que cada ser humano recebe e decifra os estímulos gerados pelo ambiente de forma diferente.

Entre a variedade de estratégias que são aplicadas em projetos que tem como objetivo estimular o usuário, há o uso do efeito catedral. Você sabe o que é isto? O efeito catedral se refere a variações de pé direito nos ambientes, assim como é mostrado na imagem a seguir. Esta variação ocorre de acordo com o proposito do local, por exemplo se a intenção é estimular a criatividade do usuário é indicado utilizar pé direito mais alto, porém se o intuito é estimular a concentração o pé direito mais baixo seria o indicado.


Fonte: https://quininedesign.com/perspectives/design-principles-cathedral-effect

Outra estratégia muito utilizada em projetos é o uso da iluminação natural, a qual pode ir além de questões relacionadas a sustentabilidade, a sincronização do ritmo circadiano e provocar diversos tipos de estímulos, como por exemplo o estimulo a produção de serotonina, também conhecida como hormônio da felicidade, o qual esta relacionada com o humor, apetite, sono, regulação da temperatura corporal, entre outros. Dessa forma, é possível concluir que o uso da iluminação natural em projetos pode proporcionar uma série de benefícios aos usuários.


Fonte: https://archglassbrasil.com.br/noticias/o-poder-da-iluminacao-natural-nos-ambientes/

As formas também são abordadas dentro das estratégias, estas quando encurvadas, arredondadas são consideradas convidativas e passam uma mensagem mais positiva ao cérebro se comparada as pontiagudas, as quais involuntariamente possuem a tendencia de serem evitadas, pois estas ativam a amígdala e são vistas como uma ameaça.


Fonte: https://www.certo.eng.br/tendencias-em-decoracao-para-ambientes-corporativos

As estratégias não param por ai, há muitas outras que são utilizadas em projetos, como o uso de cores, utilização de elementos da natureza ou que remetam a ela, texturas, a ventilação natural, layout, materiais, wayfinding, nudges, entre outros. No entanto, é importante ressaltar que para uma maior chance de sucesso devem ser levadas em consideração a combinação de fatores e estratégias criando assim uma ‘’atmosfera’’ positiva ao usuário.

Além de proporcionar várias contribuições positivas, a arquitetura pode contribuir tanto para a saúde física como para a saúde mental dos usuários. Seus estudos buscam cada vez mais compreender os efeitos dos espaços nas pessoas e consequentemente produzir métodos para a aplicação de novas estratégias.


Obrigada pela leitura!



Fontes:

GONÇALVES, Robson; PAIVA, Andréa de. Triuno: Neurobusiness e Qualidade de Vida. 3 ed. Joinville: Clube de Autores, 2018.

MIGLIANI, Audrey. Neuroarquitetura aplicada a projetos para crianças. ArchDaily, 2020. Disponível em:https://www.archdaily.com.br/br/941959/neuroarquitetura-aplicada-a-arquiteturas-para-criancas. Acesso em: 13 abr. 2021.

PAIVA, Andréa de. Princípios da NeuroArquitetura e do NeuroUrbanismo. NeuroAU, 2020. Disponível em:https://www.neuroau.com/post/principios. Acesso em: 03 mar. 2021.



0 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Não fique de fora! Se cadastre em nosso site para receber as nossas novidades e conteúdos diversos sobre arquitetura.

Obrigado pelo envio! Seu contato foi enviado com sucesso!